Famílias são despejadas com violência jurídica e policial (SP)

Por FLM

Mais de 200 famílias foram desalojadas de um imóvel da Av. S.João, 601. O prédio possui 233 kitinetes, foi construído há mais de 15 anos e nunca foi utilizado. Está abandonado sem função social. É uma propriedade que viola os preceitos elementares do bom direito,  não obedece os fundamentos do direito de propriedade.

Os sem-teto são  constituídos por aproximadamente mil pessoas, entre adultos, homens mulheres e idosos e perto de duzentas crianças. Essas famílias se organizaram depois de sofrerem despejos de suas moradias de origem. Em desespero e sem ter outra alternativa, abandonados pelo poder público, ocuparam este prédio. Limparam, fizeram manutenção, ligaram água e luz e dividiram os espaços entre si. Ali moravam e protegiam suas vidas e a de seus filhos. Passados seis meses receberam o golpe do judiciário,  com a violenta e injusta sentença de reintegração de posse.

Muitas tentativas das lideranças e famílias para barrar essa ação insana foram inúteis. O propósito do judiciário era de restituir a propriedade ao seu injusto possuidor e promover a desordem na vida das famílias sem-teto. Assim ampliaram a iniquidade social existente no Brasil.

O judiciário sacou a espada, jogou a balança da justiça fora e mandou o Batalhão de Choque ,armado até os dentes, massacrar os sem-teto. Estes desarmados e despojados de seus direitos. Atacaram sem distinção, crianças, mulheres, adultos e jovens. Um jovem teve seu braço quebrado. Estilhaço de bobas feriram mulheres, dezenas saíram feridos. Crianças sufocadas com as bombas de gás chegaram a desmaiar.  Um cenário estarrecedor, da barbárie do Batalhão de Choque, da insanidade do Judiciário e insensibilidade do governador, que reiterou a ordem de colocar os sem teto na rua a qualquer custo. E depois de tudo isso ainda levou até as crianças para a delegacia.

Os sem-teto se protegeram de modo simples e como era possível. Mas insuficiente para deter a hostilidade armada do Batalhão de Choque. E o despejo foi concluído. O proprietário, injusto possuidor, recebeu a chave do imóvel suja de sangue, mas deve estar feliz com o trabalho dos guardiões da ilegalidade.

O judiciário, os homens do choque e o governador dormirão tranquilos em seus luxuosos aposentos, enquanto os sem-teto curam as feridas e aglutinam seus pertences, procuram apoio de familiares e outros amigos- sem-teto. Respiram fundo e pensam no próximo passo.

A luta é sempre!

PS: Aproveitando-se do momento conturbado que vive o centro de São Paulo, pela injusta reintegração dos sem-teto, jovens revoltados atearam fogo em ônibus, promoveram quebra-quebra e entraram em confronto com a polícia. Reiteramos que as famílias sem-teto não participaram destas ações, também não compactuamos com esse método de luta. Nossa ação é pelo direito à moradia e pela construção de bens sociais.

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