Nota da Coordenação Nacional do MTST em apoio às famílias da Telerj e contra o prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro

No dia 30 de março, cerca de 5 mil famílias ocuparam um complexo de galpões e terrenos abandonados há mais de vinte anos, atualmente propriedade da empresa Oi na região do Engenho Novo, zona norte do Rio de Janeiro.

Famílias de diversas comunidades no Rio de Janeiro (Benfica, Arará, Jacaré, Manguinhos, Mandela, Favela do Rato, entre outras), que não suportavam mais pagar aluguel, decidiram ocupar uma área sem uso e que não cumpria sua função social há décadas.

O Poder Judiciário, em profunda subordinação à megacorporação que é a Oi Telecom (com valor estimado em mais de 6 bilhões de dólares, quase 15 bilhões de reais), autorizou, de maneira incrivelmente ágil, a liminar de reintegração de posse.

Mesmo sabendo da tragédia que se anunciava pela quantidade de famílias no terreno, mais de 1600 policiais da Tropa de Choque e do BOPE , mais de 1600 policiais iniciaram um massacre na madrugada de quinta pra sexta-feira, dia 11 de abril.

Dezenas de feridos, inclusive crianças, milhares de desabrigados com seus poucos bens destruídos, reações espontâneas das comunidades próximas à ocupação foram violentamente reprimidas pela PM (com uso de armas letais e prisões arbitrárias), além de uma perseguição aos jornalistas que tentavam registrar os absurdos (com um jornalista de O Globo preso), mostram a verdadeira face do governo do Rio de Janeiro, sintetizados na frase de ontem pronunciada pelo prefeito Eduardo Paes: “Invadiu, ocupou no peito e na raça, tem que despejar!”

Pedimos a todos os que reconhecem os direitos humanos e o direito à moradia digna acima dos interesses da elite, que compartilhem essa nota e que divulguem as imagens e depoimentos das famílias afetadas.

A cidade da final da Copa do Mundo e das Olimpíadas vive uma guerra civil constante, sustentada pelo poder público que representa apenas o poder econômico.

A tragédia da Ocupação da TELERJ é mais uma das provas de uma cidade segregada e violenta com os mais pobres.

Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto
Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos

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