Favelas sofrem com o descaso da Unidade de Polícia Pacificadora (RJ)

(Divulgação | Original em O Cidadão)

Por Maria Luiza Souza

Foto O Globo

“Mandaram meu filho ajoelhar e o assassinaram. Que polícia é essa? Por isso que sumiram com o Amarildo e não acontece nada”, foi uma das frases mais comoventes estampadas em alguns dos jornais cariocas na semana passada. Ela foi dita por José Carlos Lopes, pai de José Carlos Lopes Junior, jovem de 19 anos que foi assassinado pela polícia militar no dia 12 de fevereiro no Morro do São João, Engenho Novo.

Morro do São João é uma das favelas ocupadas pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Este modelo já mostrou que é apenas uma falsa promessa de segurança e paz dentro destas favelas, afirmando assim a criminalização da pobreza. Pois o que deveria ser uma política pública de segurança virou mais uma forma de extermínio de pobre, já que para além das trocas de tiros, há invasões e ainda assassinatos na maioria das favelas ocupadas hoje pela UPP.

Eduardo Carvalho, de 21 anos, morador do Morro do Alemão, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, favela que também tem sofrido com as constantes trocas de tiros e até mortes nos últimos meses, afirma que “foi trocado um grupo armado fora da lei por um grupo armado do Estado”.

São inúmeras as favelas que estão hoje ocupadas pela UPP e que sofrem com as trocas de tiros. A Rocinha, localizada na Zona Sul do Rio, é outra que vem passando pelos mesmos problemas. Para Henrique Souza, de 25 anos, comunicador comunitário e morador do Morro, “é possível ouvir rajadas de fuzil, metralhadoras sem hora e nem lugar para acontecer. Andar na Rocinha de noite é um desafio e requer atenção”, explica.

Lembrando que foi nesta mesma favela, na Rocinha, que sumiu um ajudante de pedreiro, o Amarildo. Caso que percorreu o mundo. Lá, assim como mais de 20 favelas que estão hoje ocupadas pela (UPP), outros moradores têm desaparecido. “Entre 2007 e 2012, foram registrados 553 casos de desaparecimento nas 18 primeiras comunidades. Os relatórios do ISP indicam aumento progressivo anual até 2010, quando o indicador atingiu o seu ápice (119 ocorrências)”, dados do Instituto de Segurança Pública em matéria do UOl publicada em agosto de 2013.

Ainda de acordo com Henrique, a situação da favela tem piorado, pois a imagem da UPP na Rocinha está desgastante. “Não é preciso passar muito tempo junto à família de Amarildo para entender que a UPP da Rocinha se envolveu em um problema bem grande. Há muitos relatos de agressões cometidas por policiais durante revistas em becos. A maioria dos jovens são acusados de ter envolvimento com o tráfico pelo modo de se vestir ou pelo comportamento”, fala.

Para ele, pelo ponto de vista do morador, as coisas pioraram. Além das mortes, dos desaparecimentos e das trocas de tiros, “o número de roubos dentro da comunidade aumentou. Estupros, desordem pública e os constantes tiroteios colocaram em cheque o processo de pacificação”, concluiu Henrique.

Mais casos de repressão policial

Constantes invasões, tiros e mortes também têm acontecido em favelas que ainda não tem a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O Conjunto de Favelas da Maré, por exemplo, desde o ano passado sofre com invasões da polícia militar e do Bope. Nestas invasões, inúmeros moradores já ficaram feridos, outros até assassinados, mas a maioria destes casos nem ao menos são divulgados nos grandes jornais.

Para a moradora da Maré, Caroline Oliveira, de 19 anos, quem sofre com isso são os moradores. “Nós temos problemas para entrar e sair da favela. Há poucas semanas três pessoas morreram. E morrem o tempo todo, a gente não quer violência em nossa rotina”, afirma. Eduardo Souza, de 31 anos, também morador da Maré, diz também que as invasões não têm hora para acontecer. “Podem ser de manhã bem cedo, clareando o dia mesmo, quando as pessoas estão saindo para o trabalho levando seus filhos à creche ou ao colégio, como podem acontecer à tarde ou noite”, disse. O Morro do Juramento há pouco tempo, no dia 04 de fevereiro, passou por uma operação da polícia militar que deixou também seis mortos.

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