Conjuntura – A Luta das Ocupações do Extremo Sul – Parte I (SP)

(Divulgação | Original por Rede Extremo Sul)

???????????????????????????????No meio do ano passado, em nossa região, o extremo sul de São Paulo, ocorreu um fenômeno aparentemente inusitado. Grandes extensões de terra foram ocupadas de maneira espontânea, numa onda que não poupou nem mesmo canteiros ou morros. O distrito do Grajaú ficou em polvorosa: foram dezenas de ocupações concentradas no tempo, e apesar de agressões, ameaças e despejos, algumas delas resistem, e permanece por aqui o ímpeto para novas ocupações.

Em outros momentos falamos sobre os motivos das ocupações (despejos em massa; aumento dos preços dos aluguéis, catapultados pela distribuição das “bolsas-aluguel”; falta de construção de moradias populares; onda de manifestações em junho; primeiro ano de uma nova gestão municipal petista etc.6 – veja aqui e aqui). Queremos discutir agora um pouco dos objetivos e da forma de organização das ocupações.

Apesar da diversidade dessas ocupações, podemos apontar algumas características comuns às que persistem:

1) Elas não possuem um caráter “simbólico”, com vistas a ativar as políticas habitacionais e nem são frutos de disputas entre partidos políticos. Os ocupantes reivindicam os próprios terrenos ocupados para construir suas moradias. Assim, mesmo no caso das ocupações mais recentes, em que não houve divisão de “lotes”, foi e continua sendo feito um esforço para que não entrem nos terrenos mais famílias do que cabem nele.

22) Se o seu início foi espontâneo, de um jeito ou de outro elas desenvolveram formas de organização interna. Em alguns casos, prevaleceu a tendência ao estabelecimento de relações clientelistas, de surgimento de “lideranças” carismáticas ou autoritárias. Noutros casos, outro caminho foi tomado, e logo veremos qual foi ele, e como ele tem sido trilhado.

3) Na maioria dos casos, as famílias ocupantes não se encontravam vivendo na rua, e sim morando de favor, ou sob ameaça de despejo, ou ainda pagando aluguéis que consomem boa parte de suas rendas. Diante da incerteza sobre a permanência no terreno, muitas famílias ocupantes não se mudaram para o terreno, tanto que algumas ocupações são vazias.

Um último fator que é bom ter em mente para nossa discussão é o da instabilidade das ocupações, que se encontramempreiteiras enredadas num emaranhado de interesses poderosos. Apesar de seu total abandono, bastou os terrenos serem ocupados para aparecerem donos, promessas e projetos de parques, de moradias, de equipamentos públicos, e assim por diante. Afora os eventuais “proprietários”, as ocupações acabaram mexendo com os negócios dos politiqueiros (preocupados com seus currais eleitoras, e com seus acertos de campanha), e das empreiteiras (grandes potências econômicas e principais financiadores das campanhas eleitorais).

A ocupação dos terrenos com a marcação de lotes faz parte do processo histórico de ocupação da região desde os anos 1970, por meio do qual milhares de famílias começaram a construir os bairros que hoje existem. Evidentemente que em cada lugar o processo de desenrolou de um jeito mais ou menos organizado, com maior ou menor subdivisão de lotes, com maior ou menor presença de oportunistas e grileiros, o que gerou uma diversidade de tipos de bairros e favelas na região. ???????????????????????????????Como a base desse processo foi o atendimento da necessidade individual de moradia, na forma do “cada um por si”, sem pensar no espaço como um todo, nas áreas comuns, nos espaços de convivência, nas estruturas de saúde, educação etc., com pouca criação de laços de companheirismo, solidariedade, união, respeito, o que predomina em nossa região são bairros bastante precários, e não existem neles verdadeiras comunidades.

No meio do ano passado, a “tradição” de ocupar e demarcar a parte que cabia a cada família foi revivida de maneira intensa e com a mesma intenção de autoconstrução. Mas logo se sentiu na pele a mudança de significado político e econômico dos??????????????????????????????? terrenos da região: se antes eles valiam pouco, e muitas ocupações irregulares e desordenadas acabavam se consolidando, pois beneficiavam grileiros, politiqueiros locais, juízes etc., hoje essas áreas são uma mina de ouro para a especulação, e a violência correu solta. Afinal, se dezenas de bairros já consolidados estão sendo despejados em função dos interesses imobiliários, é evidente que as áreas não edificadas em nossa região são muito visadas. E de fato muitas dessas terras já foram “loteadas” pelos políticos para pagar suas “dívidas” com as empreiteiras. Por isso, para a população brigar por essas terras, era preciso manter a união da luta e um crescente processo de organização. Além disso, com essa união haveria a possibilidade de construir outros tipos de bairro.

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