Até o coração chora na Comunidade dos Coelhos (PE)

(Divulgação | Original por Recife Resiste!)

Não é de hoje que a comunidade dos Coelhos convive com incêndios. De 2008 pra cá, já foram quatro. O último e mais arrasador ocorreu nesta segunda-feira dia 5 de Agosto. De lá pra cá a tragédia virou manchete nacional. Apesar de vir aparecendo constantemente nos veículos de comunicação de massa, algumas questões vêm sendo deixadas de lado pela grande mídia. Depois de uma conversa rápida com moradores, alguns fatos vieram à tona.

A versão circulada no Recife e nos resto do país, afirma que o incêndio iniciou por conta da brincadeira de duas crianças. Fósforos acesos escapuliram para um colchão que rapidamente ficou em chamas. Os ventos do mês de agosto somaram-se ao forte calor que fazia no dia. Em poucos minutos o fogo se alastrou pelas madeiras  dos barracos. Mas não foi apenas a brincadeira de criança e muito menos as causas naturais que resultaram na tragédia de segunda-feira.  O socorro demorou e os bombeiros  chegaram depois de 30 minutos na comunidade. Uma vez no local, a brigada de incêndio não tinha equipamentos capazes de dar conta da velocidade com que o fogo se espalhava. Eram mangueiras furadas e poucos bombeiros dispostos – contavam os moradores.

Numa situação de claro desespero, pessoas tentavam salvar o que restava de suas casas. Por sua vez, o GATI (grupo de apoio tático itinerante) impedia os moradores  de atuarem junto aos bombeiros.  Eram forçados a serem espectadores de sua própria tragédia enquanto observavam as chamas e o roubo de seus pertences. Sim, mesmo nessa situação, algumas pessoas, que não moradoras, entravam na área para roubar alguns pertences.

Mas porquê tanta negligência no socorro? E qual a necessidade da intervenção de policiais de operações táticas nessa situação? Bem, de início não seria novidade que o descaso com as comunidades pobres é o mesmo até em situações de grandes incêndios. Imaginem se fosse os prédios da Avenida Boa Viagem pegando fogo. Também não é novidade que qualquer presença policial na periferia é realizada com policiais armados até os dentes, prontos para a mais nova situação de guerra. No entanto, algumas questões agravam ainda mais o ocorrido na comunidade dos Coelhos.

Há dois anos os moradores da região atingida pelo incêndio receberam a notícia de que seriam expulsos de seus locais de moradia por conta de algumas obras de mobilidade urbana. Na conversa com alguns moradores, foi dito que as obras fariam parte da construção da Via Mangue e da drenagem para o Programa Capibaribe Navegável. Não sei exatamente qual obra a prefeitura empurra “guela abaixo” no local, mas o que importa é que, mais uma vez, a política de especulação imobiliária e de mobilidade urbana afasta as comunidades pobres de seus locais de moradia e trabalho.

Também não foi a toa, que moradores relataram ter visto policiais atirarem gasolina em parte dos barracos para assim potencializar o incêndio. A Prefeitura e o Governo do Estado tem planos certos para o local. Sua política desenvolvimentista pretende tornar nobre o centro do Estado. Para isso, é necessário expulsar as comunidades pobres da região e o mais rápido possível.

Antes de ser acusado de uma teoria da conspiração, não afirmo que o incêndio teve uma única causa criminosa. Mas o projeto de despejo e o fato de policiais terem atirado  gasolina, aliados à demora e ao descaso do socorro ,  fazem do Estado o grande responsável pela tragédia.

Anúncios

, ,

  1. #1 por recife resiste! em 13/08/2013 - 10:13

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: