A luta pelo direito de existir na cidade: a história de dona Izildete (RJ)

(Divulgação / Original por Rede Contra Violência)

A história de dona Izildete condensa vários dos problemas experimentados nas grandes cidades, principalmente daqueles vividos pelas classes populares, relacionadas à violência policial, moradia, mobilidade urbana, acesso a serviços de educação e saúde e todo tipo de adversidade.

Seu filho Fábio e um amigo, de nome Rodrigo, estão desaparecidos desde 2003. O desaparecimento ocorreu em um contexto de abordagem policial. Segundo ela, os jovens foram abordados por quatro policiais que estavam numa viatura Blazer, ao voltarem de uma festa junina realizada em um bar, no bairro São Roque. Segundo Izildete, os policiais acusados afirmam que apenas “deram uma dura nos meninos” e os liberaram. Fato é que os corpos dos dois jovens jamais apareceram, tampouco voltaram os jovens vivos para contar o que se passou.

Izildete tem enfrentado grandes dificuldades para levar o caso adiante em razão da falta de informações, falta de provas, ameaças dos policiais e a burocracia das delegacias e demais instâncias estatais por onde tem peregrinado em busca de solução para o caso. Sua vida tornou-se um calvário em busca do filho, peregrinando para todos os lados em busca de informações sobre o paradeiro de Fábio. Segundo Izildete, em Queimados, os rumores de casos de desaparecimento são constantes.

Vários recados lhe foram enviados pelos policiais. Policiais passam de carro em frente à sua casa e verbalizam ameaças.

Izildete ressalta que muitos dos policiais envolvidos em grupos de extermínio se candidatam nas eleições, como uma estratégia para adquirirem uma “blindagem” ainda maior do que já possuem utilizando-se condição de policial. Através da imunidade parlamentar, tornam-se intocáveis e imunes à aplicação da lei e da punição. Muitos conseguem se eleger e isso significa a desmedida do poder, passam a gozar de imunidade parlamentar, tornando ainda mais difícil a investigação sobre seus crimes. Alguns dos policiais acusados de serem os responsáveis pelo desaparecimento do filho de Izildete e de seu amigo foram mais tarde acusados de participação na Chacina da Baixada.

Dona Izildete afirma que os policiais ficam “fazendo hora” com ela, somem com seus documentos, dão informações erradas e se negam a fazer o serviço que caberia a eles fazer, repassando a responsabilidade pela investigação para a própria denunciante. Os policiais já chegaram, inclusive, a “orientarem” a desistir de procurar o filho.

Em 2010, quando o caso completou sete anos, Izildete, com o apoio da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, realizou uma manifestação em Queimados, em memória do filho e em denúncia ao descaso das autoridades públicas. O protesto foi também uma cobrança por justiça e consistiu em uma caminhada refazendo o trajeto que os jovens teriam feito pela última vez, terminando com uma visita à delegacia.

Mudanças de local de moradia e dificuldades no acesso aos direitos de mobilidade, saúde e educação

Hoje, a Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, recebeu um telefonema de Izildete. Estava angustiada com a situação de saúde de seu outro filho, Flávio, que tem paralisia física e cerebral.

Em 2012, Izildete foi contemplada com uma casa popular e mudou-se de Queimados para um conjunto habitacional no Rio de Janeiro. Apesar de ter melhorado de moradia, Izildete enfrenta agora muitos problemas que dificultam no cuidado do filho Flávio, que tem paralisia física e cerebral, sendo a paralisia física desenvolvida após o desaparecimento do irmão. Após a mudança de Queimados, dona Izildete não conseguiu mais o transporte especial para levar o filho à escola nem às consultas médicas. Quando tenta utilizar o serviço público da Supervia ou o transporte público de ônibus não consegue em razão do filho ser cadeirante.

Segundo Izildete, desde quando se mudou conseguiu utilizar o transporte público para levar o filho ao médico apenas duas vezes. Como não consegue levar o filho ao médico, este encontra-se sem acompanhamento e sem medicação. Toda a rede de cuidados e acesso a serviços de saúde, transporte e educação que o filho tinha em Queimados não tem mais no Rio de Janeiro, segundo Izildete. Flávio, que tinha uma rotina de atividades garantida pelo acesso aos serviços públicos, agora permanece ocioso dentro de casa e seu estado de saúde tem piorado. Atualmente encontra-se obeso porque as atividades físicas que fazia na escola estão interrompidas.

Solicitamos à imprensa que divulgue esta situação e às autoridades competentes que deem uma solução imediata para o caso de Flávio.

Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência
E-mail: redecontraviolencia@uol.com.br
Email da Comissão de Comunicação: comunicacao.rede@gmail.com

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