Heliópolis: mais um incêndio, mais um exemplo de descaso (SP)

Mais um incêndio atingiu no último domingo (7) uma favela paulista. Desta vez foi Heliópolis que sofreu com as chamas que contabilizaram pelo menos 3 mortes e mais de 850 pessoas desabrigadas. As famílias estão com medo de serem esquecidas em abrigos ou de sofrerem ainda mais com saques das coisas que sobraram em suas casas. Muitas dormiram a última noite praticamente ao relento nas proximidades das suas casas para tentarem assegurar que as poucas coisas que sobraram não desapareceriam.

Os governos do município e federal têm oferecido o mesmo de sempre às famílias: auxílio-aluguel de 400 reais e “uma linha especial” do Minha Casa Minha Vida. É isso que tem sido oferecido como opções a todas as famílias que precisam de moradia, sejam vítimas de incêndios, de despejos ou de remoções forçadas.

Isso resolve a situação? De fato qualquer uma dessas coisas é melhor para as centenas de famílias do que sair “de mãos abanando”, sem nada. Mas como diz uma das lideranças locais, o dinheiro do auxílio-aluguel não é suficiente para pagar um aluguel na região. Isso se repete com todas as famílias que sofrem com remoções pelo país. E todo mundo sabe que demora muito tempo para qualquer moradia do Minha Casa Minha Vida sair, e que quando saem são sempre em locais distantes das antigas casas. Ou seja: uma opção verdadeira de teto para as famílias não existe.

Ao mesmo tempo lembramos que vários políticos e pessoas do “alto escalão” do Estado recebem auxílios moradia mesmo com os salários altíssimos que têm, com todas as regalias que recebem e com tudo o que deixam de pagar por serem considerados “importantes”. Em São Paulo a Assembleia Legislativa se vangloria de pagar até R$2.800,00 para cada deputado que comprove que paga aluguel. No Rio de Janeiro, o Tribunal de Justiça cogita pagar até R$6.000,00 por mês para cada juiz e desembargador do estado. Esse pagamento seria retroativo a dez anos, pago inclusive para aqueles que moram em casa própria!

Assim vemos que as pessoas que realmente precisam de moradia são “cidadãos de segunda categoria” para o Estado, pois o mesmo direito que é esbanjado por umas não é garantido de forma mínima para outras. O Estado deveria priorizar quem mais precisa, e não quem recebe mais de 20 mil reais por mês. As novas casas deveriam ser construídas no local onde estavam as antigas ou o mais próximo possível, aproveitando para regularizar as áreas e provê-las com todos os serviços públicos de direito.

Todo apoio às famílias desabrigadas e pela investigação das centenas de incêndios em favelas! Sem mais despejos e remoções!

(Com informações da Rede Brasil AtualAgência BrasilFolha de SPEstado de Minas e OAB-RJ. Foto do UOL)

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