Resistência e luta no Jardim Iguatemi (SP)

(Divulgação | Original em AND)

Por Comitê de apoio ao AND – São Paulo

Os moradores do Jardim Alto Alegre – Pinheirinho 2, construíram suas casas em um terreno de 133 mil metros quadrados, à margem da Avenida Bento Guelfi, altura do nº 1350. O terreno antes abandonado passou a abrigar mais de duas mil pessoas que, no último 26 de março, acordaram sob forte cerco da Polícia Militar que executaria uma ordem de despejo. A resistência e luta das famílias fez com que a ordem fosse suspensa.

Arminda, com sua criança no colo, enfrentou durante todo tempo o cerco policial. Durante meses, ela, seu marido e outros dois filhos viveram a angústia de não ter dinheiro para pagar o aluguel e buscavam construir suas vidas com trabalho e dignidade. Vindos da Bolívia, encontraram no Jardim Iguatemi a esperança de uma vida nova. Viveram meses em um barraco de lona e construíram sua casa com seu próprio trabalho. Arminda chegara ao Jardim Iguatemi grávida de seu filho David, que no dia 26 já enfrentava sua primeira batalha contra o velho Estado. “Vocês vão destruir minha casa, não vou sair!” “Não tenho pra onde ir, então eu prefiro morrer!” – protestou Arminda ao receber ordem da polícia para sair de sua casa. O comitê de apoio ao AND em São Paulo esteve no Jardim Alto Alegre logo após a batalha de 26 de março e ouviu a sua história e os depoimentos da vida e da luta das famílias.

“No dia da reintegração, às quatro horas da manhã já estava todo mundo de pé… esperando, porque a polícia já estava lá em baixo. Três horas da manhã a polícia já se encaminhava pra cá e agente ficou aqui no meio de bala e de bomba. Era criança correndo pra lá, correndo pra cá…. A polícia apontou arma para o meu marido e ia atirar, mas agente gritou e a imprensa filmou e eles não atiraram” – Rafaela, que vive em uma pequena casa com o marido e outros seis familiares e se preparava para construir sua casa no terreno.

“Quando o choque entrou, eu e meu marido fomos pra dentro de casa e o povo foi para o campo de futebol. O campo é aberto e o helicóptero jogava bomba de cima e atirava e o povo estava todo acuado… A minha tia apareceu na janela, eles iam atirar nela e agente estava dentro de casa. Eles jogaram muita bomba e quem estava aqui dentro estava ficando asfixiado, as crianças, todo mundo” – Uma moradora que não quis ser identificada.

“Duas mulheres grávidas passaram mal. Um moço teve de fazer uma cirurgia, por que a bala atingiu uma parte do corpo dele, que eu não sei qual, mas teve que fazer a cirurgia. Uma criança foi atingida no olho, uma mulher foi atingida na cabeça, um vereador levou um golpe de cassetete na cabeça, mostrou até na televisão. Uma bebezinha, que foi o que mais chocou agente, foi arremessada do colo da mãe, conforme o choque foi empurrando e essa bebezinha foi pisoteada…” – Rafaela.

“Quando o Batalhão de Choque chegou, ninguém arredou o pé das suas casas. A gente lutou até o fim… Aqui é um bairro! Foi feito tudo direitinho, para não haver problemas futuros, então todo mundo dividiu, foram os próprios moradores que abriram as ruas, que mediram. Não recebemos ajuda de ninguém, nem bloco, nem cimento… um ajudou o outro” – Maria Rosa de Oliveira, coordenadora da associação de moradores Pinheirinho 2.

Anúncios

, , , , ,

  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: