Carta aberta de comunidades ameaçadas pela Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo (SP)

(Divulgação | Original em Brasil de Fato)

Comunidades pedem socorro! Copa do Mundo x População. 03/04/2013

Comunidades Comando e Buraco Quente

Vem chegando 2014, ano de Copa do Mundo….ebaaaa!!!! Vamos ver o Brasil golear!!!! Pipocas compradas, guaraná na mesa… Vuvuzelas tocando… Alegria, pessoas gritando com as caras pintadas… Brasil…. Brasil… Brasil! Mas … para que todo esse “espetáculo futebolístico” possa acontecer, nos bastidores dessa grande façanha … muuuuitos outros deixam de “existir”, de morar, perdem seus endereços, suas identidades, raízes, histórias.

Art. 5 Constituição Cidadã/88 diz: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo – se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País – a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade , à igualdade, à segurança e à propriedade. No entanto, no Brasil alguns parecem ter mais direito a vida, a liberdade, à saúde, à moradia do que os outros…..

As famílias da comunidade do Jardim Aeroporto, zona sul de São Paulo, mais precisamente nos arredores da Av. Jornalista Roberto Marinho, estão passando por mais uma angustiante etapa de suas vidas. Muitas e porque não dizer todas, não sabem onde colocarão sua televisão para assistir a abertura da Copa do Mundo!!!

Durante muitos anos inúmeras famílias, homens, mulheres, crianças, (…), vem lutando para construir dignamente suas histórias nessa região, tentando mudar ou sendo obrigados a mudar por estarem submetidos a uma grande metrópole. Crença e descrença, conquistas e perdas, amor e ódio, injustiças (muitas) e justiça, tranquilidade e violência, construção e desconstruções…

Foram muitas as modificações, os sofrimentos, os desafios. Incêndios (inúmeros), por consequência da falta de condições básicas de moradia. Avenidas e Viadutos para desafogar o trânsito caótico dessa cidade! Grandes edifícios e condomínios de custo exorbitante estão sendo desenhados na tela dessa região, aumentando com isso a especulação imobiliária. Que isso? Não sei exatamente, mas sei que não nos favorece!

Hoje a empreitada é outra, Linha 17 – Ouro do metrô, que vai ligar o Aeroporto ao Morumbi. Mais uma obra de muitos investimentos e investidores visando a “melhoria da cidade”. É claro, para que isso aconteça, todas as famílias vão precisar ser removidas o quanto antes! Ah?! Por quê?!

Elas não estão incluídas nessa grande obra arquitetônica? E a final de contas elas vão morar a onde? Não existe um projeto de reurbanização? Onde estão nossos diretos? Cadê a prefeitura, a CDHU, as secretarias? E minha história seu moço, minha identidade, meu emprego, minha escola, meus amigos (…)? E se eu não tiver dinheiro suficiente pra pagar meu apartamentinho, eu vou pra onde? Será que vou ter que voltar para minha terral!!! E se eu quiser ficar aqui em São Paulo, pode?! Indenização? Bolsa aluguel de 400 reais? Onde eu vou encontrar uma casa para alugar ou comprar com os valores oferecidos? Desculpa as perguntas, mas por quanto tempo eu vou ficar no auxilio aluguel?!

PRIORIDADES são prioridades!!!!

Essas e muitas outras dúvidas estão afligindo as famílias que residem por mais de 40 anos nessas comunidades que de forma desumana tem deixado seus lares e comunidades, aderindo “espontaneamente” os termos de adesão proposto.

Como procedimento todas as casas desocupadas precisão ser inutilizadas para evitar posteriores retornos e invasão de aproveitadores, procedimento esse que faz a população sofrer tamanha pressão psicológica, tristezas e a des-contrução literalmente de suas raízes…

Sem contar a situação vulnerável que fica toda a com unidade com os imóveis todos quebrados entre as vielas, com vários riscos para os poucos moradores que resistem em ficar, e lutar por suas casas.

Os destroços vêm causando na comunidade uma sensação de impotência e tristeza, agonia essa que deveria ser resolvida com conversas e propostas coerentes, projetos transparentes e verdadeiros, presença dos representantes do Estado junto aos moradores, trabalho horizontal que exige parcerias, alianças e compromissos com outras políticas e setores da sociedade civil, eficácia esta que dificilmente vai acontecer.

Quando as pessoas, as famílias, os cidadãos , o s indivíduos deixarem de ser PRIORIDADE não sei mais no que acreditar! Não queremos ser como “pipas” que são cortadas por “Linhas” de cerol, porque não dizer de “Ouro”, que ficam pairando no ar como sem saber seu rumo, sua direção, sem saber aonde vai cair, sendo levada de um vento a outro flutuando no ar, repetindo a história, constante ciclo de violações e violência.

Utopia talvez, mas preferimos continuar!!!

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