E você, suportaria quanto? (SC)

(Divulgação | Original no portal Desacato)

Por Livia Monte

Reflexões sobre a reunião entre a Ocupação Contestado e a prefeita de São José

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Como se marca uma reunião com a prefeitura de São José? Para você leitor e morador do município que não sabe, a Ocupação Contestado ensina. A coordenação protocolou um pedido de reunião no dia 8/1/2013, que foi ignorado. No dia 20/02, em um encontro com a prefeita Adeliana Dal Pont, ela prometeu atender o tal pedido no prazo de 2 semanas- após 15 dias de uma não definição de data, por parte da prefeitura, um ato em frente a ela foi organizado no dia 7/03, cujo resultado foi o encontro que aconteceu ontem (13/03) na prefeitura.

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Vale lembrar que iniciada a partir de um crime eleitoral cometido pelo ex-prefeito Djalma Berger, no dia 7 de março a Ocupação Contestado completou 4 meses de ocupação no bairro Serraria em São José.

O que dizer sobre o acontecimento do dia 13? Como psicóloga vi um fenômeno que não é só privilégio desse município em pauta, mas sim de todo Brasil; resolvi caracterizá-lo como um transtorno psíquico o qual chamei de “medo do povo”. Isso pode explicar o fato de  7  coordenadores do Contestado e 2 representantes das Brigadas Populares (organização política que apoia a articulação das famílias) terem sido recepcionados pela guarda municipal.

Estiveram presentes no evento, além dos citados acima e a prefeita, o promotor de Justiça de São José, Jadel Silva Junior, as advogadas da rede de apoio à ocupação, Daniela Felix e Luzia Cabreira. Representantes da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), da Defensoria Pública da União (DPU), da Caixa Econômica Federal (CEF), das Secretarias  da  Educação, Assistência e Saúde.

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Propostas e encaminhamentos da reunião

-São José está há 8 anos sem projetos de habitação popular e a proposta do mandato de Adeliana é construir ao longo dos 4 anos 2.000 novas moradias.

-No dia 10 de abril às 14 horas será apresentado uma proposta de projeto habitacional para as famílias, bem como o levantamento da áreas disponíveis para a locação do mesmo.

-O terreno onde se encontra a Ocupação pertence a Imobiliária Suvec, a prefeita afirmou que irá negociar com a mesma com a intenção de impedir que as famílias sejam despejadas até que as habitações populares estejam concluídas. O resultado de tal procedimento será revelado também no dia 10 de abril.

– Para as questões de assistência, saúde e educação da comunidade serão feitos cadastros das famílias, os quais garantirão, entre outros benefícios, um comprovante de residência .

As propostas e prazos estão selados, porém não existe garantia que os mesmos serão concretizados. Tomando isso como realidade e me referindo à fala do promotor Jadel na reunião, a conclusão óbvia é que o tempo é a questão fundamental. Como unir o tempo da prefeitura e das famílias? Por quanto tempo essas pessoas podem esperar pela tão sonhada casa própria? Por quanto tempo elas podem viver sob a ameaça constante de despejo? Por quanto tempo você leitor suportaria se estivesse no lugar delas?

Fotos: Lívia Monte.

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