(Vídeo e fotos) Ocupação Quilombo das Guerreiras (RJ)

(Divulgação | Original por Favela em Foco)

Quilombo das Guerreiras

Neste sábado (9/3) desde as 15 horas, diversas pessoas mobilizadas com a questão da moradia e o direito a cidade estiveram no evento “Abraço à Ocupação Quilombo das Guerreiras” localizado na Francisco Bicalho, 49 – Santo Cristo – Zona Portuária do Rio de Janeiro. Durante a tarde/noite do evento aconteceram apresentações musicais, fotográficas e de vídeos. Tudo alimentado pelos deliciosos caldos preparados por moradores e moradoras, bebidas e churrasquinho também foram vendidos para arrecadação interna.

Dentre as atrações musicais do dia: DJ Castro (integrante do projeto “BNegão SoundSystem”), El Efecto, Repper Fiel, PH Lima, Banda Macumbia e Banda Corisco. O fotografo Álvaro Riveros exibiu a exposição “Tudo Isso É Nosso”, assim como o lançamento do curta-metragem “Mulheres Guerreiras”, sobre a própria ocupação, a partir do olhar de algumas de suas moradoras.
Quilombo das Guerreiras

Porto Maravilha, menos para o povo

A Ocupação Quilombo das Guerreiras é o lar de dezenas de famílias há quase 7 anos, quando ocuparam o prédio da Companhia Docas do Rio de Janeiro já abandonado há mais de 20 anos. Desde então têm realmente trazido nova vida ao imóvel e ao seu entorno, onde o aumento da circulação também aumentou a segurança. As famílias se organizam coletivamente em reuniões e comissões de trabalho, reformando partes do prédio e mantendo espaços coletivos como sua biblioteca e sua horta urbana agro ecológica.

Porém,  suas conquistas têm sido ameaçadas pela “revitalização” que atinge a Zona Portuária, especialmente pelas 5 torres de até 50 andares que farão parte das “Trump Towers Rio de Janeiro”. Este megaempreendimento imobiliário – “o maior complexo empresarial do país” segundo o prefeito Eduardo Paes – será erguido no mesmo terreno onde estão as famílias da Ocupação Quilombo das Guerreiras. O início da construção está marcado para o próximo semestre.

Quilombo das Guerreiras

Sr Rodrigues conta que veio de outra ocupação, em Nova Iguaçu, por se sentir ameaçado ao ver cinco colegas morrerem. Ele não acredita no processo levado pelo atual governo.
“Eles não estão levando em consideração, toda nossa autonomia, isso é um absurdo sem tamanho.”

Sr Zé Ramalho conta as diversas dificuldades que passaram no prédio. Muitas vezes sem água, sem luz elétrica, sem poder sair por conta dos vigias da Docas do Rio de Janeiro esperarem os moradores para não entrarem mais no prédio. Sr Zé não vê com bons olhos a tal obra e disse que se pudessem propor pessoalmente as autoridades diria:
“ Vocês não sabem o quanto a gente luta por esse lugar, a gente não é bandido, a gente quer é alternativa pra moradia, mais nada. O prédio tinha é que ser reformado pra gente ter moradia digna, cheio de projeto aí, das crianças, das mulheres, pô.”

Iracy e Nilde, moradoras desde o primeiro dia de ocupação vão mais além. Iracy por exemplo disse que não tem um local apropriado de moradia e disse que só queria continuar onde se acostumou a ser solidária ao outro.
“ Foi aqui, com essa família, todo mundo se respeita, não tem como ser maior que ninguém aqui. É geral na mesma linha e o mundo aí fora ó, ensina tudo ao contrário.”

Já Nilde, que não gosta de ser chamada de dona, diz que a ocupação Quilombo das Guerreiras, nunca pôde contar com o poder público. Os moradores já fizeram diversas propostas de projetos, de investimento, para que ali se tornasse não só um prédio de moradia mas que se incentivasse a cultura e arte que já existe no lugar. Ela visivelmente emocionada expressava:
“ Moço, a gente não quer moradia de graça, não, porque a gente sabe que nessa vida, nada é de graça. A gente quer é que o poder público possa nos dar condições de pagar por uma moradia. .. Isso aqui, é importante pra todo mundo da Quilombo.”

Nilde ainda disse que as vezes que foi a caixa econômica para ver quanto estava avaliada uma casa, o preço absurdamente impossível de ser efetivada por quaisquer moradores dali. São moradias de 30 a 78 mil Reais em São Gonçalo.

Quilombo das Guerreiras

Assim como os moradores da Quilombo das Guerreiras, todas as pessoas que minimamente estão integradas com este processo se revoltam. É impressionante como o governo do Rio de Janeiro favorece um tipo de carioca e simplesmente ignora a existência da grande massa menos favorecida economicamente. É Repugnante essa situação, sem diálogo, truculenta, sem previsões de moradias futuras, são vidas sendo jogadas pra escanteio de forma aberta, pra todo mundo ver. E digo mais, será nessa copa do mundo que muita gente,  assim como os moradores da Quilombo, menos favorecidos economicamente, cabecearam  essa bola pra dentro das redes e ainda gritarão gol, felizes e enganados, porém, pouco culpados.

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