Risco iminente de despejo (MT)

Fonte: Diário de Cuiabá

Cerca de 400 famílias estão no local e alegam que não têm para onde ir caso a liminar seja cumprida

Moradores do grilo conhecido como Parque Jardim Mariana, em Cuiabá, correm o risco de serem despejados de suas casas a qualquer momento em cumprimento a uma liminar expedida pela Justiça, que assegura ao Sesc a reintegração de posse do território.

Na área de aproximadamente 17 hectares, cerca de 400 famílias vivem, em sua maioria, em barracos, e alegam não ter para onde ir.

É o caso da aposentada Maria Pereira da Silva, 59 anos. Há quase dois anos morando na região, ela sobrevive com um salário de R$ 420 e divide o barraco de quatro metros de largura por dois de comprimento com mais três netos.

Diabética, Maria teve que amputar a perna esquerda no ano passado. Apesar das dificuldades, a aposentada diz se sentir feliz com o lar.

“Quando chove, molha mais aqui dentro do que lá fora, mas pelo menos agora não tenho mais que pagar aluguel”, comemora.

Maria conta que na área do Parque Jardim Mariana a falta de água e energia elétrica são problemas corriqueiros.

“Se as pessoas que estão aqui tivessem para onde ir, já teriam ido. Aqui é ruim de energia e de água”, argumenta.

A área começou a ser ocupada pelos moradores em setembro de 2011. Logo depois, o Sesc entrou na Justiça pedindo a reintegração de posse. O pedido chegou a ser negado por duas vezes. No entanto, na última decisão, o juiz Aristeu Dias Batista Vilella enfatizou que ficou comprovada, com perícias e documentos, que a posse da área pertence ao Sesc.

“A área estava abandonada há mais de 28 anos. Negando as liminares, a Justiça encorajou os moradores a se fixar e a construir suas casas, e agora quer despejar todo mundo”, disparou o líder de Associação de Moradores do grilo e ex-vereador por Cuiabá (pelo PDT), Benedito Santana de Arruda – mais conhecido como Dito La Bamba.

O pedreiro Leandro Augusto da Conceição, 21 anos, é um dos que já começou a erguer sua residência. Ele conta que só começou os trabalhos por ter apostado as fichas nas decisões anteriores.

“Soube a poucos dias que já querem nos tirar daqui de novo. É complicado”, lamentou-se, enquanto continuava a trabalhar na construção de sua casa.

Liderados por Dito, algumas dezenas de moradores “trancaram” na manhã de ontem a entrada principal do Palácio Paiaguás, na expectativa de serem ouvidos pelo governador Silval Barbosa (PMDB) – o que não aconteceu.

Os manifestantes, porém, conseguiram, com a ajuda dos vereadores João Emanuel (PSD), Toninho de Souza (PSD), Onofre Júnior (PSB) e Oséas Machado (PSC), entregar um documento ao chefe da Casa Militar de Mato Grosso, Ildomar Nunes Macedo, solicitando, entre outras coisas, uma vistoria no local. A decisão judicial determina que 9 hectares sejam desocupados, sem especificar o local ao certo.

“Queremos saber, por exemplo, se esses 9 hectares correspondem à regiões habitadas pelos moradores”, afirmou Dito, que disse que vai continuar a se articular na tentativa de evitar o despejo.

Após todas as autoridades serem notificadas, a reintegração de posse deve ser feita em 48 horas.

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