Haddad cumpre promessa e entregará a Secretaria de Habitação para PP de Paulo Maluf (SP)

(Divulgação | Original em Brasil de Fato)

Por José Francisco Neto

Pacto entre prefeito eleito de São Paulo e ministro das cidades, Aguinaldo Ribeiro (à dir. na foto), do partido de Maluf, gerou decepção entre os líderes dos movimentos de moradia; a existência do acordo só foi revelada após Haddad ter sido eleito

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o ministro das cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP). Foto: Rodrigo Nunes

O pacto entre o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ministro das cidades, Aguinaldo Ribeiro, do Partido Progressista (PP), de Paulo Maluf, gerou insatisfação e decepção entre os líderes dos movimentos que lutam por moradia em São Paulo. Na quarta-feira (5), após reunião realizada na sede do governo de transição, Haddad confirmou que vai cumprir um compromisso já assumido no início de sua campanha e vai entregar ao PP de Maluf a responsabilidade de comandar a área de Habitação.

O acordo foi anunciado somente após Haddad ter sido eleito prefeito. O fato pegou de surpresa os sem-teto, que fizeram campanha para Haddad, acreditando que ele entregaria o cargo da secretaria para alguém do PT, e não para o PP, considerado pelos movimentos como “o inimigo número um dos que lutam por moradia”.

“Eu falei pra ele (Haddad) que estava saindo da reunião decepcionado. Não sei se valeu a pena o esforço que fiz para elegê-lo. Quero deixar claro também que a partir do dia primeiro de janeiro serei seu opositor”, disse Luiz Gonzaga da Silva (Gegê), vice-coordenador da Central de Movimentos Populares do Brasil (CMP).

O futuro secretário de governo, Antônio Donato, também estava na reunião. Procurado para prestar esclarecimento, a reportagem não obteve retorno.

Dos três nomes indicados pelo ministro das Cidades, dois não passaram na avaliação de Haddad. Um terceiro nome, ainda não divulgado, está sendo averiguado. O prefeito tem até a semana que vem para fechar as pastas de seu secretariado.

Repúdio

Além dos movimentos de moradia, diversas entidades e personagens conhecidas do mundo acadêmicomanifestaram seu repúdio a esse acordo. “Negamos enfaticamente a condução das duas últimas gestões municipais, uma fachada, maquiagem pouco melhor do que a feita por Maluf e Pitta com seus Cingapuras. De fato, famílias foram atendidas, mas inúmeras outras foram expulsas de suas casas sem atendimento adequado”, diz trecho da carta.

Maluf

A história do PP e de Paulo Maluf é conhecida em São Paulo pelas perseguições e criminalização aos movimentos sociais. Na época em que se tornou prefeito, em 1992, sua gestão foi marcada por agressões aos trabalhadores informais e população em situação de rua, além de despejos e paralisação dos programas de mutirões e habitação popular.

As organizações esclarecem que esses são os principais argumentos para que nem a Secretaria de Habitação e nem a Companhia Metropolitana de Habitação (COHAB-SP) sejam entregues a administração do partido de Maluf.

“As lideranças entendem que a sustentação de um governo que se diz democrático e popular passa também pelos movimentos populares, para além dos vereadores e partidos políticos”, diz nota do movimento.

Foto

Para apoiar Haddad, Maluf exigiu, em junho, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tirasse uma foto ao seu lado, nos jardins de sua mansão. A foto causou constrangimento ao PT. Depois disso, Maluf só apareceu ao lado de Haddad na festa da vitória.

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