Quinta edição da Mostra Luta aborda remoções e desocupações (SP)

Fonte: Brasil de Fato

A mostra, que começa nesta quarta-feira (17) e vai até domingo (21), terá como foco produções que tratam de ações repressivas que vêm atingindo famílias em todo o país

A entrada da mostra é gratuita, para mais informações acesse http://mostraluta.org

Começa nesta quarta-feira (17) a quinta edição da Mostra Luta, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Campinas (SP). Neste ano, a mostra tem como tema remoções e desocupações, com o foco em produções que tratam de ações repressivas que vêm atingindo famílias em todo o país.

A abertura será às 19 horas desta quarta-feira, com a exibição do documentário “Belo Monte: anúncio de uma guerra”, de André D’Elia. Segundo o Coletivo de Comunicadores Populares, que organiza a mostra, o filme revela o processo em curso no país em que despejos são realizados para a construção de grandes obras de eventos esportivos e usinas hidrelétricas, servindo somente a interesses imobiliários.

A mostra também abordará ações policiais e políticas urbanísticas repressoras, que contribuem para o extermínio da população pobre e negra. “Esta grave situação em São Paulo está em filmes como ‘Mães de Maio: um grito por justiça’, do próprio coletivo das mães, e ‘Cracolândia e o Estado higienista: a violência legitimada’, de Fernanda Eda”, contam os organizadores em nota.

No sábado (20), às 16 horas, acontecerá o debate “Resistência e luta contra as desocupações e remoções”, com a participação de representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), da Fábrica Ocupada Flaskô e do movimento de resistência do bairro Recanto dos Pássaros de Barão Geraldo (Campinas). Além de integrantes do Acampamento Milton Santos, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que sofre ameaça de despejo mesmo sendo reconhecido pelo governo federal.

A quinta edição da mostra vai até o domingo (21). Durante o evento, serão exibidos filmes de movimentos sociais e de trabalhadores, coletivos da periferia e realizadores militantes. “São lutas sociais, denúncias, expressões e diferentes olhares sobre a realidade, de pontos de vista ausentes das mídias comerciais ou mesmo dos circuitos independentes mais conhecidos”, explica o Coletivo de Comunicadores Populares.

Segundo os organizadores, a mostra “tenta propiciar uma possível tela para os grupos que lutam para construir uma outra sociedade e sobrevivem em sua luta diária contra as injustiças do sistema em que vivemos”.

O Museu da Imagem e do Som fica na rua Regente Feijó, 859, no Centro de Campinas. A entrada da mostra é gratuita. Mais informações em mostraluta.org.

Confira a programação completa abaixo:

QUARTA-FEIRA, 17 DE OUTUBRO DE 2012

19h – ABERTURA –

Belo monte: anúncio de uma guerra (104′), André D’Elia

Documentário independente filmado ao longo de 3 expedições à região do rio Xingu, Altamira e arredores, São Paulo e Brasília. Apresenta imagens e fatos reveladores sobre a maior e mais polêmica obra em andamento no Brasil.

QUINTA-FEIRA, 18 DE OUTUBRO DE 2012

19h – SESSÃO 1 –

Remoções no Rio de Janeiro (7′), A Nova Democracia

O filme mostra imagens das arbitrariedades cometidas pelo poder público contra comunidades do Rio de Janeiro ameaçadas ou já removidas por conta das obras da copa e das olimpíadas.

Linha de ação: crônicas urbanas – Episódio I (10′), Rica Saito e Flávio Galvão

O Linha de Ação – Crônicas Urbanas é um projeto de produção e circulação de crônicas audiovisuais sobre experiências de arte coletiva de resistência. Este espisódio é sobre o Cinescadão.

Auto dos bons tratos (20′), Cia do Latão

Documentário teórico sobre os temas da peça da Companhia do Latão que contém entrevistas com os historiadores Fernando Novais, Luiz Felipe de Alencastro e Pedro Puntoni, além da leitura de fragmentos do processo original da Inquisição, que inspirou a dramaturgia.

Ensaio sobre a crise (25′), Cia do Latão e Brigada de Audiovisual da Via Campesina

Baseado no poema “Café”, de Mario de Andrade, o filme foi feito a partir de uma oficina conjunta de criação audiovisual. “Café” é um libreto de ópera política que dialoga com o tema da revolução social a partir do contexto de uma crise econômica mundial.

MTST Ocupação Novo Pinheirinho Embu (32′), Fernando Mastrocolla, Flávio Galvão e Nicolau Bruno

São retratadas duas ocupações simultâneas na região da Grande São Paulo (Embu e Santo André). As ações levaram o nome de “Novo Pinheirinho” e foram uma resposta ao despejo violento da comunidade do Pinheirinho (São José dos Campos) e são um instrumento de luta por moradia digna.

SEXTA-FEIRA, 19 DE OUTUBRO DE 2012

19h00 – SESSÃO 2 –

JIRAU: Justiça e sindicato atacam trabalhadores (6′), A Nova Democracia

A luta dos trabalhadores da Usina de Jirau, em Rondônia, para receberem seus direitos e o conflito contra um sindicato que não os representa

A ditadura da especulação (12′), Zé Furtado- CMI

O filme mostra a resistência contra o avanço da construção de um bairro de luxo no DF. No local está presente o Santuário dos Pajés (um antigo santuário indígena) e uma comunidade indígena. São exibidas imagens da destruição do local e da tentativa de resistir a esses ataques.

O cantinho do céu que não está na TV (13′), Rede Extremo Sul

Descaso e despejos no bairro Cantinho do Céu em São Paulo.

Conflito (20″), Beto Novaes

Em 2011, uma greve dos trabalhadores da cana em Bela Vista-SP protestava contra as condições de trabalho, exigindo a demissão. Utilizando imagens gravadas pelos celulares dos trabalhadores e de material da equipe, o documentário retrata o conflito que se instalou, que é intermediado por sindicalistas e procuradores.

Mães de Maio: Um grito por justiça (32′), Mães de Maio

No ano de 2006, em maio, 493 pessoas foram assassinadas, sendo a maioria pobres, negros e moradores da periferia. Há fortes indícios de uma ação de grupos de extermínio da polícia como retaliação aos ataques do PCC. O filme trata da luta dessas mães, organizadas através do grupo Mães de Maio, e das circunstâncias e consequências da violência do Estado, buscando soluções.

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SÁBADO, 20 DE OUTUBRO DE 2012

16h – DEBATE

“Resistência e luta contra as desocupações e remoções”, com representantes do: MTST (Mov. Trabalhadores Sem Teto); MTD (Mov. Trabalhadores Desempregados); Fábrica Ocupada Flaskô; movimento de resistência do bairro Recanto dos Pássaros de Barão Geraldo/Campinas; Acampamento Milton Santos (MST)

19h – SESSÃO 3 –

Matzeiva Juliano Mer-Khamis (5′), Silvio Tendler

Juliano Mer-Khamis foi um militante da paz, filho de pai comunista árabe e mãe judia, que morava em Haifa, Israel e mantinha um teatro no território ocupado de Jenin onde formava e encantava crianças palestinas.

3º Festival de Cultura da Flasko (7′), Serviço de Utilidade Pública

Um retrato do festival anual que conta com diversas atrações culturais teatrais, musicais, debates e informações sobre a luta da fábrica, tendo por objetivo evidenciar as diversas atividades culturais que são desenvolvidas dentro da fábrica ocupada pelo projeto Fábrica de Cultura.

O massacre de Pinheirinho: a verdade não mora ao lado (16′), Coletivo de Comunicadores Populares

Este vídeo revela os jogos de interesses na expulsão dos 9.000 moradores da ocupação Pinheirinho, de 8 anos, em São José dos Campos. Traz, também, imagens do dia da desocupação (22/01) e depoimentos sobre a truculência policial.

Linha de ação: crônicas urbanas – Episódio II (25′), Rica Saito, Fábio Silva e Flávio Galvão

O Linha de Ação – Crônicas Urbanas é um projeto de produção e circulação de crônicas audiovisuais sobre experiências de arte coletiva de resistência. Este espisódio é sobre o Coletivo Dolores de teatro.

A gente luta, mas come fruta (40′), Bebito Piãko e Isaac Piãko- Vídeo nas Aldeias (Ashaninka)

O manejo agroflorestal realizado pelos Ashaninka da aldeia Apowtxa, no, Acre. Eles registram, por um lado, seu trabalho para recuperar os recursos da sua reserva e repovoar seus rios e matas com espécies nativas e, por outro, a luta contra madeireiros que invadem a sua área.

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DOMINGO, 21 DE OUTUBRO DE 2012

16h – SESSÃO 4 –

A luta contra o despejo do Recanto dos Pássaros em Barão Geraldo-Campinas (9′) Coletivo de Comunicadores Populares

O vídeo mostra a posição dos moradores do Recanto dos Pássaros (bairo periférico de Barão Geraldo/Campinas) contrária a sua remoção das casas que construíram ao longo de 18 anos de muita luta e trabalho.

O canto de Acauã (15′), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens)

O documentário “O Canto de Acauã” mostra as consequências sociais e ambientais da construção da Barragem de Acauã (na Paraíba) para as comunidades atingidas.

Circuito interno (13′), Júlio Martí

Elias, um imigrante boliviano ilegal, pressionado por seus colegas de trabalho, busca uma forma de batizar seu sobrinho. Através da sua jornada de trabalho, acompanhamos o cotidiano do abusivo universo nas oficinas de costura espalhadas no centro de São Paulo.

Histórias fantásticas que devemos contar às crianças (20′), Giselle Moraes Pinto Sônia e Regina Ferreira de Oliveira

O vídeo registra estudos realizados por crianças de uma escola pública sobre as origens dos bairros Parque Oziel, Monte Cristo e Gleba B, todos nascidos de uma ocupação urbana no ano de 1996, em Campinas-SP.

A cracolândia e o estado higienista – a violência legitimada (28′) Fernanda Eda

As ações higienistas do governo do estado de SP na região da Cracolândia, caracterizadas pela intervenção abusiva da polícia. O descaso e a violência contra usuários de crack, pessoas em situação de rua e moradores do centro de São Paulo, revelando os interesses mercadológicos que impulsionam essas ações.

19h – SESSÃO 5 –

Ocupação MTD Campinas 2012 (2′), Rafael Toitio

Vídeo sobre ocupação urbana organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), em setembro de 2012, em Campinas-SP.

O LEGADO SOMOS NÓS: Castelos para todos (3′) Olho Mágico

Mais de 20 comunidades em Fortaleza serão removidas por causa de obras da Copa 2014. Próximo ao estádio Castelão, moradias serão removidas para a construção de um tún

Invasores ou excluídos? (30′) Direção: César Mendes e Dulcidio Siqueira. Produção: Centro de Produção Cultural e Educativa da Universidade de Brasília. Ano de realização: 1989.

Conta a história da construção de Brasília e o surgimento das primeiras favelas habitadas pelos pedreiros da cidade planejada, além da luta dos movimentos populares por melhores condições de moradia no DF.

Em nome da segurança nacional (47′), Renato Tapajós

Em 1983, opositores da Ditadura Militar organizaram no Teatro Municipal de São Paulo o Tribunal Tiradentes, para julgar a Lei de Segurança Nacional. O filme também contém imagens de repressão, desfiles militares e depoimentos de pessoas que sofreram seus rigores.

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