Ocupação em antigo hotel em Boa Viagem (PE)

(Divulgação | Original em Recife Resiste!)

Por Laís Araújo – Diario de Pernambuco

Moradores de rua ocuparam os 36 apartamentos de um hotel fechado em Boa Viagem. Vizinhos do bairro nobre estão insatisfeitos

Hotel ocupado fica em uma das áreas mais nobres do bairro de Boa Viagem. Foto: Laís Araújo/Esp.DP/D.A Press

Hotel ocupado fica em uma das áreas mais nobres do bairro de Boa Viagem. Foto: Laís Araújo/Esp.DP/D.A Press

Ele, que não possui lar fixo desde os 12 anos, acredita que a ocupação é positiva. “Estamos aqui para ajudar um ao outro. Limpamos todo o prédio em conjunto”. Romoaldo afirma que os novos habitantes do hotel não querem causar problemas e que trabalham da forma que é possível.  “Tenho uma oficina de eletrodomésticos aqui, para consertar as coisas do pessoal. Também sou artesão, diplomado em arte em vime, mas no momento estou me dedicando à oficina e à minha esposa”. A esposa de Romoaldo é deficiente física e tem dificuldades para se locomover pelas escadas do prédio.Os novos habitantes se dizem integrantes do Movimento das Famílias Sem Teto (MFST). Segundo eles, a convivência com os tradicionais moradores da região, em uma área nobre do bairro, nas proximidades do Shopping Recife e da Praia de Boa Viagem, é pacífica. “Não diria que estão todos satisfeitos, mas é pacífica, sim”, afirma Romoaldo Pereira, morador do antigo hotel há quatro meses. “Algumas pessoas ajudaram. O prédio vizinho nos forneceu água por um tempo”.

Apesar das afirmações de convivência pacífica serem confirmadas por outros frequentadores da região, os moradores do edifício Saint Thomas, muro a muro com o hotel, negam que exista harmonia. “Chegamos a fornecer água para eles, assim que invadiram o prédio, mas atitudes hostis e antissociais começaram a afetar nossos condôminos e nosso patrimônio”, diz Moisés Marques, síndico. “Foram atirados sacos de fezes e pedaços de concreto em direção ao nosso estacionamento. Chegamos a fazer um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Boa Viagem. O último caso foi uma garrafa de refrigerante, cheia, atirada na nossa área de convivência. Vivemos num clima de terror”. Moisés conta que as crianças do Saint Thomas evitam andar pelas áreas visíveis para a ocupação.

Já as crianças da ocupação passam horas do dia pedindo dinheiro no sinal de trânsito em frente ao hotel. “A maioria frequenta a escola, mas não todos, por se mudarem muito e não terem encontrado vagas nas escolas da região”, explica Romoaldo. “Nos acusam de colocar crianças no sinal para nos sustentar. Mas a realidade não é bem assim…”, divaga. “Verdadeiramente, queremos ajuda. Um modo de sustento, um lugar pra morar, pra todo mundo. Não quero tomar nada de ninguém. Essa ocupação foi uma coisa boa pra gente. Agora temos onde arriar a cabeça e dormir tranquilo”.

Prédio tem 36 apartamentos, que foram divididos entre as famílias. Foto: Laís Araújo/Esp.DP/D.A Press

Prédio tem 36 apartamentos, que foram divididos entre as famílias. Foto: Laís Araújo/Esp.DP/D.A Press

Representantes do Saint Thomas pretendem coletar provas da destruição de patrimônio do edifício. “Não entendemos porque isso está acontecendo, já que nos dispusemos a ajudá-los quando chegaram. Em uma das vezes que atiraram fezes contra o nosso prédio, um dos porteiros foi atingido. Pretendemos entrar com uma representação no Ministério Público para, pelo menos, abrir uma porta de diálogo com os ocupantes”, afirma Moisés. “Alguns condôminos já deixaram o prédio. A convivência também não é pacífica dentro da ocupação e nossos moradores já presenciaram cenas muito desagradáveis, além de consumo de drogas e brigas agressivas”.A nova moradia das famílias possui numeração de andares e quartos pintada nas paredes, área comum para lavagem de roupa e pratos e alguns animais domésticos. No andar térreo, há uma sala usada para o conserto de móveis e a improvisação de moradia para um deficiente físico, que, dessa forma, não precisa utilizar as escadas. Cada quarto-casa é organizado de forma própria, variando em limpeza e decoração. O de Romoaldo possui páginas de revistas coladas nas paredes, além de móveis e televisão.

Os moradores da ocupação afirmam que “há brigas, como em toda família” mas negam o uso e venda de drogas.

Longa história

Em 2008, 40 famílias se mudaram para o edifício Shopping Praia Hotel numa ocupação conhecida como Barack Obama. Os ocupantes, até então moradores da comunidade Entrapulso, enfrentaram dificuldades para permanecer no local: corte de energia, problemas no abastecimento de água e descontentamento dos novos vizinhos. Após cerca de três meses, foram removidos por mandado de desocupação expedido pelo juíz Demócrito Ramos Reinaldo Filho, da 31ª Vara Cível do Recife.

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