Nova Canaã: Ocupantes protestam (MT)

Fonte: Joanice de Deus/ Diário de Cuiabá

Na iminência de serem despejadas, cerca de 300 famílias que ocupam uma área intitulada Nova Canaã, localizada entre os bairros Parque Cuiabá e Jardim Mossoró, interditaram ontem a Avenida Palmiro Paes de Barros, em Cuiabá.

“Estamos preocupados e de plantão 24 horas. Há muitas famílias carentes no bairro e temos a informação de que a polícia recebeu ofício com pedido para dar suporte à ordem de despejo, o que pode acontecer a qualquer momento”, informou o construtor civil Nelson José Machado, 34 anos.

Segundo os manifestantes, o mandado de reintegração de posse foi assinado pela juíza Vandimara Galvão Ramos Paiva, da 21ª Vara Cível de Cuiabá, em benefício do empresário Armindo Sebba Filho. Porém, conforme o comandante-adjunto do 9º Batalhão da PM, major Gildázio Alves da silva, pelo menos até ontem não havia chegado à corporação documento referente à ordem de despejo.

“A Polícia Militar só compareceu hoje aqui para controlar e garantir o trânsito de veículos e evitar possíveis conflitos entre os usuários da avenida e os manifestantes”, disse o major.

A reportagem do Diário tentou manter contato com o empresário, mas não obteve êxito.

O bloqueio durou cerca de duas horas. Na área há dois anos e meio, Machado alega que as famílias são de baixa renda e não têm para onde ir. “Essa era uma área abandonada e usada para desmanche de veículos, desova de cadáver e esconderijo de marginais. Hoje, ela tem uma função social”, argumenta.

Uma das moradoras, a doméstica Alice Maia, 33 anos, estava preocupada. “Ganho R$ 400 por mês, além do Bolsa Escola de R$ 170. É pouco para ter que pagar aluguel”, disse a doméstica, que é mãe de três filhas entre 10 e 13 anos. “Eu não tenho para onde ir. Minha esperança é ser assentada, que o Estado nos ajude”, pediu.

Um dos temores dos moradores é que a ação de reintegração seja feita com truculência.

Eles argumentam ainda que há contradições sobre quem seja realmente proprietário da área e que cinco irmãos estariam brigando na justiça pelo terreno. “O senhor Armindo não tem a escritura da terra”, diz Nelson Machado.

Porém, independentemente de quem seja o dono, as famílias querem negociar. “Sempre tentamos chegar a um acordo até por que não temos para onde ir”, reforçou Priscila Martins, que também reside no local.

Segundo os manifestantes, pela área de 14 hectares o suposto dono teria pedido R$ 10 milhões.

Várias casas no Jardim Canaã são de alvenaria, embora haja algumas em madeirite. As ruas não são pavimentadas e, para ter água e energia elétrica, as famílias puxaram gambiarras.

A esperança dos moradores é conseguir uma liminar determinando o não cumprimento da reintegração de posse.

Para isso, eles recorreram à Defensoria Pública de Mato Grosso. A assessoria de imprensa do órgão informou que o defensor público Air Praeiro irá entrar com recurso de agravo para tentar reverter a reintegração de posse.

http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=406815

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