(Vídeo) Vídeo mostra dificuldades dos moradores realocados pela prefeitura no Rio (RJ)

(Divulgação || Original em Fazendo Media)

Por Eduardo Sá

No vídeo “Realengo, aquele desabafo!”, produzido pelo Observatório das Metrópoles, é realizada uma série de entrevistas com moradores que foram realocados em condomínios na zona oeste do Rio por causa das chuvas de 2010 ou dos equipamentos construídos para receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas na cidade.  A gravação retrata a vida das 540 famílias de baixa renda instaladas nos condomínios Vivendas do Ipê Amarelo e Vivendas do Ipê Branco, em Realengo, nos apartamentos viabilizados pela Caixa Econômica no Programa Minha Casa, Minha Vida.

É importante destacar antes de entrar nos relatos dos moradores em relação às condições do local que, após as denúncias de movimentos sociais e moradores de comunidades, veio à tona a confirmação de que esses terrenos apresentados pela prefeitura como solução habitacional estão sendo tomados pelas milícias. O tema está pipocando na mídia, ao todo já são 11 condomínios com o registro da atuação dos criminosos, mas as causas e procedimentos que resultaram na situação atual não são questionados em nenhum momento. O porquê dos moradores saírem de suas casas, a forma como isso é feito e o suporte dado pela prefeitura em todo o procedimento não é pauta, apesar de sua importância. As remoções de favelas no Rio são isentas de críticas, e a população afetada têm péssimas alternativas e pouca voz.

Esses casos descritos no vídeo retratam uma situação pontual, que é reproduzida em diversos empreendimentos apresentados como solução na zona oeste. O Fazendo Media esteve na inauguração do condomínio Vivendas do Ipê Amarelo, um dos visitados pelo Observatório das Metrópoles, que foi destinado às vítimas das chuvas e conseqüentes desabamentos no Morro do Urubu, em Pilares, zona norte do Rio. Veja aqui a situação nesta comunidade dois meses depois das remoções , para ver qual o tratamento dado a essas pessoas.

O outro condomínio visitado, Vivendas do Ipê Branco, destinado a ex moradores de ocupações e favelas de Copacabana, Madureira, Rocha Miranda e Olaria enfrenta os mesmos problemas. Ambos ficam em média 30km dos locais de origem dos moradores, fazendo com isso que histórias sejam destruídas, sem nenhuma alternativa. Como é mostrado, grande parte das famílias viveram situações dramáticas: receberam ordens da prefeitura de saírem de suas casas em casos de até 5 dias, e só descobriram onde e como iriam morar quando foram deixadas juntas aos seus pertences pessoais diante das portas do novo lar. Tudo feito às pressas, tiraram tudo de casa correndo e ficaram esperando até quase a madrugada para fazer a mudança. Chegando em Realengo os apartamentos sequer tinham luz, relatam alguns moradores.

As mudanças são realizadas em caçambas de caminhões da Comlurb, como se as pessoas fossem lixo, dizem os moradores. A denúncia de sumiços e danificações dos seus pertences, principalmente móveis, além da confusão de coisas indo parar na casa de vizinhos, é recorrente. Com essas mudanças, hoje pessoas ficaram desempregadas, pois Realengo, assim como os outros empreendimentos na região, são muito distantes do centro do Rio e por causa do horário e o preço da passagem muitos perderam seu trabalho.

Além disso, os supermercados, bancos, farmácias e o hospital ficam distantes dos apartamentos. Falta até vaga em escolas para as crianças. Até hoje não existe telefone e condições para se instalar internet nas moradias disponibilizadas; as pessoas permanecem incomunicáveis. Alguns moradores estão satisfeitos por não ter de se preocupar mais com o risco de desabamentos e ter uma casa própria, mas a maioria está inconformada. Nesse sentido, vale lembrar outra vez: esse vídeo não entra na questão da milícia, que só piora a situação que já não é fácil para essas pessoas. Seus destinos ficam à mercê do poder público, que tem lhes dado esse tratamento desumano.

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