Fonte: Pernambuco.com
O desespero ainda toma conta dos moradores da Travessa Santa Helena, na Vila São Miguel, em Afogados. Cerca de 50 barracos foram destruídos por um incêndio causado, provavelmente, por um curto-circuito em uma casa que era mantida fechada há um mês, no último domingo (26). O vento forte e a suposta demora na chegada do Corpo de Bombeiros aumentaram o tamanho da tragédia, pois o fogo alastrou-se rapidamente. Algumas pessoas ficaram com pequenas queimaduras, mas não houve registro de mortes. No entanto, muitos animais foram encontrados carbonizados. Agora a preocupação dos moradores é com as dificuldades de retomar a rotina. A maioria das vítimas das chamas eram pescadores da comunidade que utilizavam o Rio São Miguel, que corta a Travessa Santa Helena, dentro da Vila, para sobreviver.
Os moradores fazem um apelo à sociedade por doação de comidas, roupas, colchões, mamadeiras, fraldas e água potável. Há inúmeras crianças e bebês sem ter o que comer no local. Um dia após o fogo, a polícia não voltou à comunidade, apenas uma médica de um Posto de Saúde da Família próximo esteve lá para checar se todos estavam bem. Moradores se queixam da falta de assistência da prefeitura com o caso.
Moisés, 11 anos, parecia não suportar tantas perdas. Perto da mãe, procurava consolo. “Perdi tudo. Roupa, geladeira, tudo. Cadê meu cachorro?”, perguntava a criança, desesperada. Áurea Maria dos Santos, 34, trabalhava vendendo cachorro-quente na Avenida Boa Viagem quando recebeu a ligação lhe informando sobre o incêndio. Quando chegou no endereço onde morava, desesperou-se. “Meu Deus, perdi tudo”, dizia em meio a lágrimas.
Perto dali, uma invasão de sem-tetos em um imóvel onde funcionou a empresa Souza Luna provocava polêmica. Jean Carlos Costa, do Movimento de Luta e Resistência pelo Teto (MLRT), convocava moradores para se juntarem a eles, que ocuparam ontem o espaço. “Já fomos chamados para ficar no galpão da Escola de Samba Limonil e não temos nada a ver com essa invasão”, dizia Joana D’Arc de Santana, que também perdeu o barraco onde morava.
Os moradores disseram que o Corpo de Bombeiros demorou para chegar. “A gente mesmo apagou o fogo. Pegamos água de esgoto, da maré”, afirmou Adriano José da Silva.
Ajuda para desabrigados – Moradores das imediações dos barracos, que começaram a ser erguidos há vinte anos, mobilizaram-se rapidamente para ajudar as famílias. Juntos, levaram lençóis, comidas e roupas para os desabrigados. A Comissão de Defesa Civil do Recife (Codecir) esteve no local e orientou as pessoas a procurarem a casa de parentes.
Hoje pela manhã, uma equipe da Codecir volta ao local para fazer um levantamento dos estragos. A Escola de Samba Limonil convidou as vítimas que não tinham para onde ir a passar a noite no galpão da agremiação, em Afogados. Qualquer ajuda pode ser encaminhada para o local.
