Justiça prepara despejo de 266 famílias e ativistas alertam para “novo Pinheirinho” (MT)

Redação 24 Horas News

Moradores do assentamento Jardim Canãa, na região do Grande Parque Cuiabá, em área urbana da capital, estão ameaçados de despejo. Há 2 anos e meio, 266 famílias em situação de grave dificuldade financeira ocuparam o terreno. Em outubro do ano passado, foram surpreendidas por uma decisão judicial, que dá reintegração de posse a um suposto dono da área, Armindo Sebba Filho – empresário do ramo de joias em Mato Grosso.

Ativistas temem que o despejo transforme a situação em um novo “Pinheirinho” – desocupação ocorrida na cidade de São Paulo, classificada como truculenta . “O Jardim Canãa está se organizando para evitar que ocorra o mesmo aqui” – eles dizem. A maioria das pessoas que estão vivendo lá são mães solteiras e desempregados que não aguentavam mais pagar aluguel.

A decisão pela reintegração de posse em favor de Sebba Filho é da juíza Vandimara Galvão Ramos Paiva, titular da 21ª Vara Cível de Cuiabá.
Os moradores entendem que ele é suposto dono porque há contradições sobre quem seja proprietário da área. Uma outra pessoa teria levado documentos se apresentando como titular da terra. Os moradores também especulam que cinco irmãos estariam brigando na justiça pelo terreno. Independente de quem seja o real dono, as famílias querem negociar a terra e não serem despejadas de lá.

Em outubro, quando ficaram sabendo do possível despejo, protestaram publicamente, trancando avenida próxima ao bairro e também em frente à Defensoria Pública de Mato Grosso. Participaram homens, mulheres, idosos e crianças. Por isso, a Polícia Militar conseguiu dispersar o ato rapidamente. A PM disse aos moradores, conforme eles contam, que só poderiam se manifestar se pedissem autorização.

A camareira desempregada Valdirene Marcelino Santana, 42 anos, mãe solteira de duas filhas, de 23 e 13 anos, uma das lideranças comunitárias no local, disse que, naquela época, a polícia já reagiu com violência, como se fosse crime se manifestar. “A gente está tentando brigar na justiça pelo nosso direito à moradia. Mas a gente fez uma coisa improvisada, nem sabe direito como fazer um protesto. Daí a polícia chegou, as pessoas já ficaram com medo, já chegou a Rotam com uma super ignorância, já na pressão, já armados, com cassetete…Nessa hora a gente tem que manter a calma, mas é difícil”.

A maioria das casas no Jardim Canãa são de alvenaria, embora tenha algumas de madeirite e alguns barracos de lona preta. No assentamento, não tem água nem energia elétrica. As ruas não são pavimentadas e, nessa época do ano, viram “pura lama”.

Valdirene afirma que os moradores ainda não foram intimados e, portanto, não podem sofrer despejo até que isso ocorra. É o que a informou um advogado solidário à causa.

De acordo com os moradores, a situação já foi informada ao Governo do Estado e à Prefeitura de Cuiabá.

http://24horasnews.com.br/index.php?tipo=ler&mat=403210

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  1. #1 by Sandro Ivo on 19/02/2012 - 22:24

    Reblogged this on Fragmentos Ativos.

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