Hoje pela manhã cerca de 80 manifestantes fizeram um ato em frente à Prefeitura do Rio de Janeiro para denunciar os impactos dos grandes eventos na cidade e a total falta de preocupação dos governantes em relação ao imenso déficit habitacional da cidade. Ao final, uma comissão foi à Prefeitura fazer a entrega do dossiê “Megaeventos e Violações de Direitos Humanos“, produzido pela Articulação Nacional de Comitês Populares da Copa.
Através da distribuição de materiais e do diálogo com a população que passava pelo local, os e as manifestantes divulgaram a série de violações que a Prefeitura, o Estado e a União têm cometido com a desculpa da preparação da cidade para a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016). Remoções sem diálogo e violentas, sem qualquer opção realmente viável às comunidades despejadas, vêm colocando na rua famílias inteiras de trabalhadoras e trabalhadores para beneficiar grandes investidores nacionais e estrangeiros. A falta de participação popular nas discussões a respeito do legado que esses grandes eventos deixarão às cidades afetadas por eles é mais um exemplo de descaso com a população. Ao invés das pessoas poderem discutir como poderiam eventualmente se beneficiar com os investimentos públicos, as conversas sobre os benefícios trazidos pela Copa e Olimpíadas são feitas a portas fechadas entre empresários, políticos e “cartolas” de todo tipo. A festa será na nossa casa, nós não poderemos participar e ainda teremos que arcar com a sugeira deixada.
Ao mesmo tempo, outras alternativas populares estão sendo frontalmente atacadas. As ocupações ligadas ao movimento dos sem-teto na área central da cidade, por exemplo, vêm sofrendo propostas de indenizações, aluguel social ou programas sociais indecentes para quem já luta durante anos pelo seu direito à moradia. Os milhares de imóveis abandonados no Rio de Janeiro teriam condições de resolver grande parte do problema do déficit habitacional da cidade. No entanto, esses imóveis vêm sendo direcionados a grandes empreiteiras e, com incentivos públicos, destinados à incorporação imobiliária ou exploração turística por parte da iniciativa privada.
